quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nem todo presente deve ser aceito

É bem conhecida a história do Cavalo de Tróia, famoso presente grego que levou os troianos à derrota. Há presentes e "presentes"; nem todos devem ser aceitos. No conto Zen a seguir, veremos que insultos e ofensas não nos atingirão, se não os aceitarmos como "presentes".


"Certa vez existiu um grande mestre. Ainda que muito velho, era capaz de derrotar qualquer desafiante. Sua reputação estendia-se longa e amplamente através do país e muitos estudantes reuniam-se para estudar sob sua orientação.

Um dia, um infame jovem guerreiro chegou à vila, e estava determinado a ser o primeiro homem a derrotar o grande mestre. Além da força, possuía uma habilidade fantástica em perceber e explorar qualquer fraqueza de seu oponente, ofendendo-o até que este perdesse a concentração.

Ele esperava que o oponente fizesse o primeiro movimento, revelando sua fraqueza, e então atacava com força impiedosa e velocidade de um raio. Ninguém jamais havia resistido em um duelo contra ele além do primeiro movimento.

Contra todas advertências de seus preocupados estudantes, o velho mestre alegremente aceitou o desafio. Quando os dois se posicionaram para a luta, o jovem guerreiro começou a lançar insultos ao velho mestre – jogava terra e cuspia em sua face. Por horas ofendeu o mestre com todo tipo de insulto e maldição conhecidos pela humanidade.

Mas o velho mestre meramente ficou parado, sem se alterar. Enfim o jovem guerreiro chegou à exaustão e, percebendo que tinha sido derrotado, fugiu vergonhosamente.

Um tanto desapontados por não terem visto seu mestre lutar contra o insolente, os estudantes se aproximaram e perguntaram:
– Como o senhor pôde suportar tantos insultos e indignidades? Como conseguiu derrotá-lo sem ao menos se mover?

O mestre replicou:
– Respondam-me: se alguém vem lhe dar um presente e você não o aceita, para quem retorna o presente?
"

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A vida é sofrimento?

Continuando nossa série sobre os fundamentos do Budismo...

No artigo "A Primeira Nobre Verdade", vimos que a primeira constatação de Buda é que a vida é dukkha. E vimos também que a melhor tradução para dukkha não é "sofrimento" e sim "frustração".

Dizer que a vida é frustração parece bem melhor que dizer que é sofrimento porque, obviamente, ninguém quer passar a vida sofrendo. Todo mundo quer ser feliz, conforme seus anseios e possibilidades. Mas então porque Buda disse que a vida é frustração?

Usaremos aqui a explicação contida na obra "Budismo, uma introdução concisa", dos autores Huston Smith e Philip Novak. Eles dizem: "O sentido exato da Primeira Nobre Verdade é o seguinte: a vida (...) está deslocada. Algo deu errado. Está fora do centro. Como seu pivô não é real, a fricção (conflito interpessoal) é excessiva, o movimento (criatividade) está bloqueado e há dor".

Budismo, uma introdução concisa - Smith & Novak

Ricos e pobres, fortes e fracos, senhores e escravos, todos experimentam na vida uma ou mais das seguintes frustrações:

1) O trauma do nascimento.
2) A patologia da doença.
3) A morbidez da decrepitude.
4) A fobia da morte.
5) Estar preso àquilo de que não se gosta.
6) Estar separado daquilo que se ama.

"Em resumo, tudo (dos mais simples prazeres aos maiores êxtases) está sujeito à lei universal da impermanência (anitya, em sânscrito). Sempre que o coração humano anseia por satisfação duradoura, a impermanência assegura a presença do dukkha".

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tao Te King XXIV

"Quem se ergue nas pontas dos pés
não ficará muito tempo de pé.
Quem dá grandes passadas
não irá muito longe.
Quem se exibe não brilhará.
Quem se afirma não se imporá.
Quem se glorifica não verá reconhecido o seu mérito.
Quem se exalta a si próprio não será um chefe.

Estas atitudes são para o Tao
como os restos de comida e os tumores
que repugnam a todos.

Aquele que conhece a lei da natureza
não construirá assim a sua vida."

[ Tao Te King - Lao Tse ]

Ver também: O caminho do Tao


terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Sabedoria da Natureza

Quando os antigos gregos observaram a natureza, notaram a fragilidade da existência humana: animais e plantas reciclavam-se continuamente, mas o ser humano era único e mortal. A leste dali, porém, sábios orientais contemplavam a natureza e descobriam outras coisas. Havia uma sabedoria oculta nos elementos naturais - céu, água, plantas, etc -, e essa sabedoria compreendia valiosas lições para o ser humano. Esta é a visão da "filosofia de vida" chinesa chamada taoísmo. E este é o tema da obra "A Sabedoria da Natureza" de Roberto Otsu.

A Sabedoria da Natureza - Roberto Otsu
O autor é muito feliz ao discorrer por vários ensinamentos orientais, passando por I Ching, Zen-budismo, Taoísmo e até ensinamentos essênios. Otsu emprega uma linguagem clara, com analogias ilustrativas, o que torna a leitura fácil e agradável. As melhores partes do livro são as lições da água e do bambu, e também o capítulo final sobre o céu, onde explica o yin e o yang e suas inter-relações. O capítulo sobre as árvores ficou mais distante do oriente, parecendo mais com obras de auto-ajuda de estilo ocidental.

Pelo sumário, dá pra perceber como é o conteúdo:

Capítulo 1: As lições das estações
– Significado das estações
– A mutação
– Os ciclos
– A impermanência

Capítulo 2: As lições da água
– A água vai pelo caminho mais fácil
– A água não briga com os obstáculos
– A água se acumula até encontrar a borda mais baixa
– O que mantém a vida da água é o fluxo
– O oceano é grande porque fica no lugar mais baixo
– Existe uma única água no mundo

Capítulo 3: As lições do bambu
– O bambu enraíza-se bem fundo antes de crescer fora da terra
– O bambu cresce reto e satisfeito com seu espaço
– O bambu é uma planta muito simples
– O bambu tem divisões que garantem a resistência
– O bambu curva-se no vendaval para não quebrar
– A maior qualidade do bambu é o vazio interior

Capítulo 4 - As lições da árvore
– Goiabeira dá goiaba
– A copa não existe sem a raiz
– As folhas caem, o tronco fica
– O tronco cresce em camadas
– A fruta cai no chão para gerar uma nova árvore
– A árvore começa com a semente

Capítulo 5 - As lições do céu
– O dia tem sombras e a noite tem a luz dos astros
– Não existe separação entre dia e noite
– A noite é a realidade do universo
– Estrelas são direções e não metas
– O movimento do Sol é aparente
– A luz do Sol incide sobre tudo

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A Grande Muralha

"A autora Julia Lovell explora o passado da China e sua relação com o resto do mundo ao contar a dramática construção de um de seus mais famosos ícones. Com lendários 2.200 anos e quase 7.000 quilômetros de extensão, a Grande Muralha tem uma história mais fragmentada e sangrenta do que pode imaginar a multidão que a visita.

A Grande Muralha - Julia Lovell
Lovell dá uma dimensão humana a essa estrutura, escrevendo sobre os imperadores que planejaram a construção, as pessoas que trabalharam nas obras, viveram e tomaram conta dos muros e os que morreram por excesso de trabalho, fome e frio."

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Segredo

Encontrei uma vez na internet o testemunho de alguém que, para explicar a filosofia taoísta, citava o "segredo de vida" de sua mãe já idosa. Perdi o link original, mas reproduzo aqui, em linhas gerais, o seu pensamento.

A velha senhora dizia que viver é como brincar nas ondas da praia. Não se pode firmar o corpo como pedra, nem se pode relaxar completamente. É preciso ter flexibilidade diante de cada situação, e isto nos lembra o taoísmo.

Estando rígido, as ondas pequenas não chegam a nos mover e, com isso, não curtimos o "balanço" gostoso que as marolas proporcionam. Além disso, ao vir uma onda forte, será preciso mover-se, ou pular, ou mergulhar, e ao mesmo tempo aumentar a resistência do corpo para suportar um choque provavelmente mais intenso.

Por outro lado, não se pode ficar solto demais, muito relaxado, porque assim se tombaria tanto com as ondas fortes quanto com as fracas, e a brincadeira se transformaria num desagradável banho de areia.

O segredo, portanto, está nessa freqüente adaptação às situações, não se pretendendo ser obstinado demais, e nem deixando-se simplesmente ser carregado pelas circunstâncias.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Aproximando os horizontes

Oriente, Ocidente. O mundo, na verdade, é um só, sem divisões. Contudo, sabemos que antigamente os povos se desenvolviam de forma mais isolada, o que fez com que algumas culturas acumulassem peculiaridades, à primeira vista, totalmente "estranhas". Mas com o advento da antropologia, descobriu-se que bastava um olhar menos distanciado para compreender as diferenças que, afinal de contas, não são tão grandes assim.

Atualmente passamos pela chamada "era da globalização", o que facilitou muito o contato com culturas diversas, inclusive as de maior isolamento. Um dos aspectos negativos da globalização é a influência nociva que as sociedades econômica ou politicamente preponderantes podem exercer nas outras. Por outro lado, há o aspecto positivo de conhecermos outras culturas, com novas organizações sociais, políticas e religiosas, e quem sabe, aprendermos com elas.

Não é de agora que a cultura oriental se torna acessível ao oeste. Pelo menos, desde o século XIII o contato existe, graças às viagens do veneziano Marco Polo pelo extremo oriente. De lá para cá, indas e vindas de especiarias e conhecimentos estreitaram o caminho. E chegamos finalmente ao século XXI, onde as tecnologias de comunicação aproximaram definitivamente as sociedades, mesmo que estejam separadas por oceanos ou encravadas nas montanhas do Himalaia.

Muitos conhecimentos permanecem desconhecidos ou são mal interpretados. No entanto, o acesso à informação torna possível o esclarecimento de mistérios e superação de rejeições. Se o espírito bélico ainda prevalece no mundo, somente um olhar amoroso pelas culturas alheias pode amenizar o ímpeto destruidor e, com isso, preservar as vastíssimas riquezas culturais da espécie humana.

sábado, 20 de setembro de 2008

A Arte do Origami

Todo mundo aprende, quando criança, a fazer barcos ou aviões de papel. Todo mundo não, corrijo-me. Só as crianças que têm acesso ao papel, o que não é unanimidade no Brasil nem no mundo. Parece piada, mas em um blog que fala de livros, há que se lembrar da enorme população infantil que não vê papel no dia a dia ou, se o vê, não sabe ler ou escrever nele.

Problemas sociais à parte, essa postagem é para falar do origami, que significa em japonês: ori (dobrar) kami (papel). Origami é a arte da dobradura de papel. Falávamos dos barcos e aviões feitos com papel dobrado. Acho que podemos considerá-los também origamis, pois não violam a primeira e principal lei "origâmica" – só vale dobrar. Ou seja, nada de cortar e colar (ainda que a pesquisa histórica revele que, nos primórdios, eram utilizados).

E por falar em história, não há registro oficial das origens do origami, mas decerto surgiu no Japão, no período Edo (1603 a 1867). Inicialmente, usavam as figuras como adornos religiosos, e não havia instruções para confecção. Depois, com a disseminação do papel, o origami virou arte popular. Cito aqui apenas um dos mestres do origami: Akira Yoshizawa (1911-2005), artista que acrescentou técnicas criativas às dobras, permitindo a criação de figuras mais complexas que as do passado.

Hoje em dia faz-se origami de vários temas: animais, flores, elementos decorativos, uns bens simples e outros complexíssissimos, como dragões orientais cheios de escamas e asas. Mas a figura símbolo do origami, a mais popular, é chamada tsuru, nome em japonês do pássaro grou.

Utiliza-se o origami tsuru em festividades – nascimentos, casamentos, Ano Novo, simbolizando saúde e fortuna. A própria ave tsuru é símbolo de longevidade no Japão. Se alguém estiver acamado, oferece-se mil tsurus, feitos com pensamento positivo, para que a pessoa se reestabeleça rapidamente. Também dizem que um pedido se realiza se a pessoa o fizer a cada um dos mil tsurus.

Origami Brilhante - David Brill


Há vasta literatura para a confecção de origamis. Pra quem prefere aulas, também há cursinhos rápidos nas maiores cidades. Indicamos o livro "Origami Brilhante" de David Brill por causa das figuras inusitadas que o autor expõe. São Jorge, o cavalo e o dragão, como se vê na capa, são alguns exemplos.



Os limites da palavra

"As melhores coisas não podem ser ditas.
E as segundas melhores são mal interpretadas."

[ Heinrich Zimmer ]

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Meditação, por Krishnamurti

"Ora, se não se lançam as bases adequadas, não é possível meditar. A base essencial da meditação é o autoconhecimento – o conhecer a si mesmo. Se não conhecemos a nós mesmos, toda meditação, toda contemplação, todas as preces, por mais proveitosas e aparentemente benéficas que sejam, conduzem inevitavelmente a várias formas de ilusão.

A menos que a pessoa comece por estar cônscia de si própria, tanto da parte consciente como da inconsciente, a menos que perceba seus próprios motivos, conflitos, angústias, seu sentimento de culpa, suas ansiedades e desesperos, qualquer forma de meditação, contemplação ou oração só pode levar à auto-hipnose.

A pessoa pode ter visões, porém estas são apenas a projeção de seu próprio condicionamento. O cristão verá Cristo e o hinduísta seu deus especial.

As pessoas que têm essas experiências ficam muito entusiasmadas a respeito delas. Mas o que experimentam, o que vêem em suas visões, é, em verdade, reação de seu fundo, sua educação, seu meio cultural; e, para meditar corretamente, a pessoa precisa estar livre desse condicionamento.

Do contrário, a meditação é a mesma coisa que um círculo vicioso; o condicionamento projeta as visões, e estas, a seu turno, fortalecem o condicionamento."


Mensagem: "O homem e seus desejos em conflito", de Krishnamurti.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Haruki Murakami

Haruki Murakami nasceu em Kyoto, no Japão, em janeiro de 1949. Cresceu em Kobe e se graduou na Universidade Waseda, em Tóquio. Viveu por quatro anos nos Estados Unidos, onde deu aulas em Princeton, e regressou ao país natal em 1995.

É considerado um dos autores mais importantes da atual literatura japonesa. Sua obra foi traduzida em 34 idiomas e recebeu importantes prêmios, como o Yomiuri, que já foi concedido a autores como Yukio Mishima, Kenzaburo Oe e Kobo Abe. Murakami vive atualmente nas proximidades de Tóquio.

Livros do autor publicados:

– Kafka à beira-mar
– Minha Querida Sputnik
– Norwegian Wood

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Uma Ética para o Novo Milênio

O décimo quarto Dalai Lama – Tenzin Gyatso – líder atual do budismo tibetano, tem realizado através de seus escritos um importante trabalho social que transcende os dogmas das religiões. Prova disso foi o recebimento em 1989 do Prêmio Nobel da Paz. No livro "Uma Ética para o Novo Milênio", o Dalai Lama discursa sobre a moralidade na sociedade moderna:

"Cada uma de nossas ações conscientes e, de certa forma, toda a nossa vida podem ser vistas como resposta à grande pergunta que desafia a todos: – Como posso ser feliz?

No entanto, estranhamente, minha impressão é que as pessoas que vivem em países de grande desenvolvimento material são de certa forma menos satisfeitas, menos felizes do que as que vivem em países menos desenvolvidos.

(...) A meu ver, criamos uma sociedade em que as pessoas acham cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afetivos.

Uma Ética para o Novo Milênio - Dalai Lama
O que gera essa situação é a retórica contemporânea de crescimento e desenvolvimento econômico, que reforça intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e a inveja. E com isso vem a percepção da necessidade de manter as aparências – por si só uma importante fonte de problemas, tensões e infelicidade.

O descaso pela dimensão interior do homem fez com que todos os grandes movimentos dos últimos cem anos ou mais – democracia, liberalismo, socialismo – tenham deixado de produzir os benefícios que deveriam ter proporcionado ao mundo, apesar de tantas idéias maravilhosas.

(...) Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano – tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros.

É por isso que às vezes digo que talvez se possa dispensar a religião. O que não se pode dispensar são essas qualidades espirituais básicas."

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O que é Egoísmo

Uma explicação Zen para o que é egoísmo:

"O Primeiro Ministro da dinastia Tang era um herói nacional pelo seu sucesso tanto como homem de estado quanto como líder militar. Mas a despeito de sua fama, poder e riqueza, ele se considerava um humilde e devoto budista.

Freqüentemente visitava seu mestre Zen favorito para estudar com ele, e eles pareciam se dar muito bem. O fato de que ele era Primeiro Ministro aparentemente não tinha efeito em sua relação, que parecia ser simplesmente a de um reverendo mestre e seu respeitoso estudante.

Um dia, durante sua visita usual, o Primeiro Ministro perguntou ao mestre: – Mestre, o que é o egoísmo de acordo com o budismo?

O rosto do mestre ficou vermelho, e num tom de voz extremamente desdenhoso e insultuoso ele gritou em resposta: – Que tipo de pergunta estúpida é esta?!?

A resposta inesperada chocou tanto o Primeiro Ministro que este tornou-se imediatamente arrogante e com raiva replicou: – Como ousa me tratar assim?

Neste momento o mestre Zen sorriu e disse: – Isto, Vossa Excelência, é egoísmo..."

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Origens do Japão

O Japão nasceu como o oriente dos chineses. Essa é a origem do nome "a Terra do Sol Nascente", Je-Pen, em chinês. Os primeiros habitantes eram os ainus, gente de pele clara cujos poucos remanescentes estão instalados no extremo norte do país.


Esse povo de procedência desconhecida foi deslocado por sucessivas ondas migratórias vindas da China e da Coréia a partir do século V a.C. Os novos habitantes se organizaram em clãs e viviam do arroz, cultivado em unidades autônomas similares aos feudos europeus.

A unificação do país teve início no século VII d.C. Os japoneses se libertaram da tutela chinesa e nomearam um imperador, ao qual se atribuía condição divina. Mas o controle das terras ficou nas mãos dos senhores feudais, que exerciam o poder por meio de uma casta de guerreiros – os samurais.

O sistema imperial desmoronou no final do século XII, quando o Japão passou a ser governado pelo xogum, o chefe militar supremo, cargo que era transmitido de pai para filho. A figura do imperador foi mantida apenas pelo seu significado como símbolo da unidade do país.


Fonte: Revista História Viva, especial Japão

sábado, 6 de setembro de 2008

Alan Watts

Nascido na Inglaterra em 1915, Alan Watts, ainda na infância, sentiu-se atraído pelas histórias sobre o Extremo Oriente e passou a ler tudo o que conseguia encontrar sobre o assunto. Com a idade precoce de 16 anos, fazia palestras regulares no templo budista em Londres. Foi lá que conheceu D. T. Suzuki e familiarizou-se com a qualidade iogue do hinduísmo e as influências taoístas do zen-budismo. Anos depois, mudou-se para Nova York onde passou um tempo com o mitólogo Joseph Campbell.

Watts deu aulas de teologia na Universidade Harvard e tornou-se famoso como uma espécie de "guru da contracultura" dos anos 60, época da geração beatnick, quando participou de experiências psicodélicas com LSD junto com o escritor Aldous Huxley (autor de "Admirável Mundo Novo").

Guru dos hippies, Alan Watts foi um dos pioneiros na introdução e divulgação da sabedoria oriental junto ao Ocidente. Desempenhou um papel crucial nos movimentos alternativos que levaram à formação do conjunto de idéias hoje chamadas de New Age (Nova Era).


Algumas obras publicadas:

– O Espírito do Zen (um clássico da geração beat)
– Filosofias da Ásia
– Cultura da Contracultura
– O Tao da Filosofia
– Taoísmo: Muito Além da Busca
– Mito e Religião
– O Significado da Felicidade